sábado, 8 de novembro de 2014

Bento XVI e rainha da Jordânia têm joias de «ouro negro» de artista açoriano

O papa emérito Bento XVI, a rainha da Jordânia e o empresário Stanley Ho são algumas das personalidades que possuem peças de joalharia de "ouro negro", feitas a partir do basalto vulcânico dos Açores, com assinatura de Paulo do Vale.

Artista premiado, com ateliês em Ponta Delgada e Porto, Paulo do Vale começou a trabalhar o basalto dos Açores como peças de joalharia depois de o seu filho o ter desafiado, numa praia da ilha de São Miguel, a usar esta pedra vulcânica para criar uma joia para a mãe.
"Andava com a pedra sempre a rolar na bagageira do carro. Um dia, à beira mar, onde gosto muito de estar, olhei para a pedra e, num momento de inspiração, acabei por fazer a joia. Gostei da peça e, um ano mais tarde, acabo por expô-la com mais três ou quatro peças na Câmara Municipal de Ponta Delgada", explica Paulo do Vale, à agência Lusa, confessando que teve "muito receio" sobre a aceitação do produto.
O açoriano, que também já teve como clientes figuras como o Presidente da República, Cavaco Silva, o vice-primeiro-ministro, Paulo Portas, a atriz Sofia Alves, o estilista José António Tenente ou o apresentador de televisão Manuel Luís Goucha, começou então a apaixonar-se pela pedra basáltica, acabando por ser batizado como o artista do "ouro negro" dos Açores.
Paulo do Vale trabalha a pedra vulcânica, que não é, na perspetiva gemológica, uma pedra preciosa, com prata e ouro, com base na tradição portuguesa.
O ourives está convicto de que as suas peças "têm levado o nome dos Açores muito longe", graças ao esforço da ourivesaria dos seus pais, uma vez que nunca contou com qualquer apoio oficial.
As peças de basalto, frisa o artista, "falam por si", são "pedra vulcânica dos Açores feita arte", tendo, devido ao seu "misticismo", gerado um "ícone" que acabou por ser copiado no mercado, face à sua "originalidade" e "sucesso".
Paulo do Vale, que venceu o concurso da revista VIP/Joias de 2006 e assegurou um terceiro lugar no concurso de 'design' de joalharia do Museu da Presidência da República em 2007, fica "muito satisfeito" por ser procurado por pessoas oriundas de várias parcelas do mundo.
"As minhas peças são muito minimalistas. Geralmente, o difícil é fazer o fácil. Têm um traço próprio, uma identificação", considera, para frisar que o basalto não é apenas uma peça de arte, mas também um potencial tema de diálogo pela curiosidade que gera, e que entronca no vulcanismo dos Açores.
O também vencedor do concurso nacional de 'design' do Museu Berardo, em 2008, recorda, com orgulho, que, no âmbito da primeira visita oficial de Cavaco Silva à Jordânia, a peça escolhida para presentear a rainha daquele país foi um colar seu.
A peça oferecida a Bento XVI, também ela um colar, surgiu de iniciativa do próprio Paulo do Vale, que não conseguiu fazer a entrega em mãos porque foi impedido de voar de Ponta Delgada para Lisboa, durante vários dias, por causa de cinzas vulcânicas, oriundas da Islândia, que invadiram os céus da Europa na altura em que o então papa visitou Portugal.
"O colar do papa Bento XVI foi feito no basalto, em prata. Coloquei, nos pontos principais, ouro e diamante para valorizar a peça. Mais tarde, recebi uma carta do Vaticano a elogiar a oferta, que foi a única insular feita ao papa" quando visitou Portugal, afirma Paulo do Vale.
O artista produziu também um cálice e patena para a eucaristia da missa campal do jubileu do Santo Cristo dos Milagres, em Ponta Delgada, tendo sido já o zelador do tesouro (as joias) da imagem deste santo.
Fonte: Diário Digital com Lusa

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Diamante rosa atinge preço recorde em Hong Kong

Enquanto os estudantes clamavam por mais democracia nas ruas, decorria na filial da Sotheby’s de Hong Kong um leilão com preços muito pouco democráticos. A estrela da noite de terça-feira, que rendeu um total de 584 milhões de HK dólares (cerca de 59 milhões de euros), foi um diamante rosa de 8,41 carates.
“É extremamente raro aparecerem diamantes rosa naturais; alguns dizem que é mais do que raro”, pode ler-se no site da leiloeira. “Só 0,1% dos 20 milhões de carates extraídos anualmente é cor-de-rosa, e todo um ano de produção destes tesouros cor-de-rosa com mais de meio carate cabe na palma da mão”.
A competição pelo diamante de Hong Kong foi feroz, com o mineral a superar a estimativa mais alta, que era de cerca de 12 milhões de euros. Apesar de ter aproximadamente o tamanho de uma amêndoa (só o miolo), atingiu um valor de 14 milhões de euros.
A primeira referência a um diamante cor-de-rosa remonta ao século XVII. Conhecido por Diamanta Grande Table (diamante grande mesa), estaria incrustado no trono do Rei Mogol da Índia, Shah Jahan. O aventureiro francês Jean-Baptiste Tavernier, que o viu numa viagem à Índia, avaliou o seu tamanho em mais de 200 carates. Saqueado pelo Xá do Irão, acabaria por perder-se o rasto do mineral após o assassínio do seu proprietário.

Expedição encontra na ilha Graciosa fósseis de espécie de ave endémica dos Açores

Uma expedição de investigadores do Instituto Mediterrâneo de Estudos Avançados, de Palma de Maiorca, e do Grupo da Biodiversidade dos Açores, com a cooperação do Parque Natural da Graciosa, descobriu recentemente cerca de 20 ossadas de Rallus sp., uma ave já extinta que terá vivido em zonas húmidas endémicas dos Açores.

No significativo conjunto de ossadas encontradas, nas quais se incluem espécies de aves marinhas e passeriformes, destaca-se também o que pode ser uma nova espécie, que poderá estar relacionada com o Priolo, além de um tentilhão de grandes dimensões.

Esta expedição insere-se num projeto para o estudo das alterações ocorridas na biodiversidade faunística da Região Macaronésica e das Ilhas Baleares, no Mediterrâneo, durante o período Holocénico, que abrange os últimos 11.700 anos da história da Terra.

No arquipélago dos Açores, já foram visitadas, além da Graciosa, as ilhas de Santa Maria, São Miguel, Terceira e Pico, tendo sido descobertos fósseis de algumas aves já extintas no arquipélago.

Na expedição à Graciosa, foram visitadas algumas grutas da ilha, entre as quais a Galeria do Forninho, a Gruta do Bom Jesus e as furnas do Moinho, do Abel, do Enxofre, do Calcinhas, d’ Água, de Maria Encantada e do Dragoeiro.


GaCS