segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Sangue produzido em laboratório utilizado pela primeira vez numa pessoa


Um grupo de cientistas conseguiu concretizar com sucesso a primeira transfusão de sangue produzido em laboratório. A solução está longe de poder ser utilizada em larga escala em doentes, mas é um passo importante para a medicina – numa altura em que cada vez mais doenças exigem transfusões regulares.

A investigação, publicada no jornal médico Blood, foi desenvolvida por um grupo de cientistas da Universidade Pierre e Marie Curie, em França, e concretiza um sonho da comunidade médica que soma mais de 50 anos. Luc Douay, responsável pelo trabalho, conseguiu extrair células estaminais hematopoiéticas (que dão origem a todos os tipos de células do sangue) da medula óssea de um dador voluntário e, posteriormente, fez com que estas crescessem em laboratório e se transformassem em glóbulos vermelhos.

Contactada pelo PÚBLICO, a hematologista Maria João Costa, do Hospital de Santa Maria e professora na Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa, começou por explicar que “para já a descoberta não tem qualquer impacto prático, mas representa um grande avanço para a medicina”.

A equipa francesa “etiquetou” eritrócitos produzidos em laboratório e, depois, injectou-as no mesmo voluntário. Ao todo foram cerca de dez mil milhões de células, o que equivale apenas a dois mililitros de sangue. Ao fim de cinco dias os investigadores verificaram que entre 94% e 100% das células continuavam a circular no corpo do dador.

Ao fim de 26 dias a percentagem situava-se entre os 41 e os 63% – o que corresponde à taxa normal de sobrevivência deste tipo de células. Em termos de função, revelaram-se capazes de transportar oxigénio da mesma forma que as células que já circulavam no dador. Luc Douay, citado pela New Scientist, considera, por isso, que o trabalho representa um grande passo para a investigação médica e que “os resultados são promissores quanto à possibilidade de criar uma reserva ilimitada de sangue”. O cientista recordou que, apesar de o número de dadores de sangue em todo o mundo ter vindo a aumentar, há países com números muito elevados de doenças infecciosas, como é o caso do VIH/sida, onde a concretização deste tipo de transfusão poderia trazer muitas vantagens. Um dos maiores benefícios seria a produção de sangue tipo 0 negativo, conhecido por “dador universal”, por ser compatível com quase toda a população, apesar de só 7% das pessoas terem este grupo sanguíneo.

Como produzir em quantidade suficiente?

No entanto, o grande problema que se coloca à comunidade científica é como produzir a partir das células estaminais sangue em quantidade suficiente para se fazer uma transfusão, já que seriam necessárias 200 vezes a quantidade utilizada no ensaio. Aliás, muitos investigadores têm precisamente tentado sintetizar em laboratório um substituto artificial do sangue para contornarem este problema e para conseguirem um produto de maior durabilidade e que não necessite de refrigeração para poder resistir a situações de catástrofe e para ser utilizado em locais mais remotos.

Mas cria-se outro entrave: um produto artificial, ao contrário do sangue produzido a partir da medula óssea, exigiria muitos mais testes de segurança e demoraria muito até ser aprovado. Nos Estados Unidos uma descoberta já foi rejeitada precisamente pelos efeitos secundários detectados. A solução, segundo alguns investigadores, passa por utilizar células estaminais de embriões e não de adultos, que permitiriam produzir uma maior quantidade de sangue, mas que esbarram igualmente em várias polémicas relacionadas com o uso de embriões em investigações científicas e com o próprio patenteamento das mesmas.

Já em Outubro, uma equipa da Universidade de Edimburgo, Escócia, anunciou que desenvolveu um método para extrair células estaminais adultas da medula óssea e criá-las em laboratório de forma a produzir novas células que actuem como os glóbulos vermelhos. Os mesmos cientistas também estão a investigar a criação de substâncias alternativas semelhantes ao sangue, que possam ser injectadas no corpo para servirem de “rolha” enquanto não é possível a realização de uma transfusão.

Questionada sobre a importância de ter sangue produzido em laboratório em países como Portugal onde a doação é benévola e as reservas, em geral, costumam ter bons níveis, a especialista Maria João Costa sublinha que “é sempre melhor ter um produto fabricado”, visto que o sangue dos dadores “implica muitos estudos em termos de compatibilidade e de doenças virais transmissíveis como as hepatites ou a sida”, que poderiam ser evitados se o produto fosse artificialmente produzido. “Poderá vir a ser um processo mais rápido, mais seguro e mais barato, ainda que não numa primeira fase”, acrescentou.Apesar de a doação de sangue ser gratuita, Portugal não é totalmente auto-suficiente e precisa de comprar alguns componentes de sangue: a importação custa ao país cerca de 70 milhões de euros por ano, sendo que as transfusões apresentam também vários riscos para os doentes, nomeadamente em termos de infecções ou de doenças difíceis de detectar, como é o caso da BSE, conhecida como “doença das vacas loucas”, que seriam potencialmente solucionadas pelo produto artificial.

Fonte: Publico

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Raiz em forma de corpo de mulher colhida na China


Um agricultor da região de Guizhou, na China, tirou da terra raiz que mede mais de 40 centímetros e pesa cerca de seis quilos. Planta é agora atração turística.

Dexun Zheng, um agricultor chinês, está a ficar conhecido em todo o mundo depois de ter colhido uma raiz de forma insólito. Na parte da planta é percetível de forma clara identificar os dois olhos, o nariz, as duas pernas e até os dois seios.

A raiz pesa cerca de seis quilos e mede mais de 40 centímetros. Já a parte da folha pode ser compreendida como sendo o cabelo da mulher.

Tudo aconteceu na reigão de Guizhou, na China, e a raiz já se tornou numa autêntica atração turística naquela zona.


Fonte: PTJornal

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Tablet OLPC vai cair do céu em aldeias remotas


O novo tablet da OLPC vai literalmente cair do céu. Os computadores vão ser largados, a partir de helicópteros, em aldeias de lugares remotos, às quais os membros da organização voltarão passado um ano para avaliar o resultado.

A ideia é que não haja um contacto inicial entre os responsáveis e as crianças, para promover uma aprendizagem sem a intervenção de educadores. O método consiste em dotar as crianças de ferramentas e deixá-las tratar do resto, tirando partido da sua curiosidade de tempo livre.

Os planos foram descritos por Nicholas Negroponte, presidente da organização One Laptop Per Child (OLPC), durante a conferência Open Mobile, que começou ontem em São Francisco (EUA), relata oTechCrunch.

Segundo explicou o mentor do projeto que visa disponibilizar às crianças de países não desenvolvidos um tablet de muito baixo custo, existem estudos que sustentam o sucesso do método de aprendizagem que pretendem pôr em prática com o novo método de distribuição dos computadores.

Embora as primeiras experiências de implementação do tablet XO-3 se tenham revelado positivas, com centena de milhares de crianças no Peru a usarem o equipamento, alegadamente para ensinar os pais a ler e os dispositivos a provarem ser resistentes e duráveis, o maior desafio continua a ser fazer os computadores chegarem aos seus destinos.

As dificuldades registadas levaram o responsável a propor uma nova abordagem. "Vamos literalmente levar os tablets e atirá-los dos helicópteros", afirmou Nicholas Negroponte, citado pelo blog especializado.

O presidente da OLPC acredita que os equipamentos são suficientemente fáceis de utilizar para permitir que as crianças os aprendam a usar sem instruções. Anda assim, está previsto que a organização se desloque aos locais passado um ano, para ver como correu o plano.

O pior que pode acontecer é "um irmão mais velho ficar-lhes com o computador para ver pornografia. É a vida", admitiu.

O tablet a ser usado deverá estar pronto no final de 2012, tendo como base o design revelado há cerca de um ano e incluindo um painel solar para recarregar a bateria e um ecrã de 10 polegadas da Pixel Qi, concebido para permitir a visualização mesmo sob luz solar.

Fonte: Tek.sapo.pt